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  • Andre Simões

Vídeos 360º como ferramentas de aprendizagem

As tecnologias educacionais foram responsáveis pela implementação dos recursos de mídias, principalmente do tipo audiovisual, que são importantes ferramentas que oportunizam o aprendizado através de uma abordagem lúdica. De acordo com Arroio (2016), os vídeos podem simular experiências de aspectos perigosos ou mesmo que demandem muito recurso. O vídeo é capaz de uma superposição de códigos audiovisuais e significações amparada pelo discurso verbal escrito através do que é concreto, imediato e visível.


Dessa forma, é possível ampliar as diversas metodologias, possibilitando ao aluno um maior desenvolvimento da absorção dos conhecimentos e compreensão dos conteúdos, ressignificando a atividade com exemplos do cotidiano ou exemplos de uma atividade profissional e com isso, motivando mais ao estudo melhorando o binômio ensino/aprendizagem (CARVALHO, 2017).


No período dos anos 80 até 2000, o Telecurso Segundo grau já utilizava essa abordagem, sendo um dos pioneiros a utilizar esse formato EAD, chamado de teleaula. Esse projeto foi um grande incentivador do ensino a distância através de um programa com bastante conteúdo relevante. Nesse contexto, com a massificação da internet, o Youtube surge como uma das principais ferramentas de transmissão de vídeos, atraindo uma legião de usuários que ultrapassa a casa de milhões, tendo como efeito um mercado que se abriu e que está em grande expansão, seguindo essa trilha a oferta de diversos tipos de produtos, desde entretenimento até cursos de graduação.



Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=N62H2C3iGL4


Foram muitas as transições dessa plataforma, desde sua utilização para auxiliar diversos alunos a terem algum tipo de conteúdo para agregar conhecimento, até a geração de canais específicos utilizando uma série de vídeos educacionais com curadoria de conteúdo por empresas de renome.

O Youtube conseguiu uma visibilidade inserida na educação nunca antes pensada. Sim, existem charlatões, existem conteúdos politicamente incorretos, mas não se pode negar que essa abordagem utilizando vídeos facilitou a vida de muitos estudantes. Afinal, nesse atual contexto de pandemia não há como negar o quanto facilitou as instituições e profissionais a divulgarem seus produtos de aprendizagem, o que não deixou o Youtube longe de concorrentes e rivais como a Vímeo e outros. Em 2015, o Youtube foi o primeiro serviço a suportar a publicação e visualização de vídeos 360, seguido do VCL Player em 2016 e do Vimeo em 2017. A possiblidade de arrastar o vídeo 360 para cima, para baixo, para a esquerda e para a direita, além de conseguir dar zoom, fornece aos usuários uma experiência interativa nunca antes pensada. Em outras palavras, o usuário decide para onde olhar e quando, oferecendo uma sensação única de presença e imersão impossível com os vídeos tradicionais.





Referência: https://pt.wix.com/blog/2018/10/vimeo-ou-youtube/


Mas tudo que é bom pode e deve ser evoluído, nesse contexto, apareceram diversos tipos de câmeras que auxiliaram com suas altas definições, afinal gravar vídeos de excelente qualidade tornou-se uma das atividades mais rentáveis. Não acham? Pergunte aos nossos Youtubers mais famosos. Você pode não gostar do material deles, mas se estão em alta é porque eles são apreciados por um público específico.


Alguns programas de televisão trouxeram com o tempo outras novidades, como os famosos tours 360º. Que experiência fabulosa, ao invés de eu assistir um vídeo de forma linear, agora posso assistir um vídeo e escolher qual ângulo eu quero assistir ou qual pedaço do vídeo eu preciso observar. Posso girar na minha tela e observar os 4 cantos do ambiente em que estou trabalhando. Nesse sentido, mais de 20 fabricantes de câmeras já disponibilizaram no mercado produtos com alta definição e gravação em 360 com preço mais acessível, como por exemplo a GoPro.


A tecnologia de vídeos 360 em questões de aplicação para área de segurança patrimonial, segurança industrial é excelente, sendo utilizada em museus para criar tour virtual, também é uma ferramenta sem preço. Agora imagine a junção de cenas em que cada detalhe possa ser observado durante uma atividade, onde não seria possível investigar de forma tão detalhista? Junte isso a uma contextualização através de uma estratégia de ensino em que você pode solicitar ao aluno alguns detalhes que somente através de uma experiência 360º seriam possíveis. Quanto material rico para ser explorado por um aluno, em que ele pode presenciar ao vivo a realização de tarefas que não seriam possíveis de estar presentes e dar um significado aquele conteúdo em que ele está estudando e nem sabe qual seria a sua utilização. Podemos citar um aluno querendo entender um processo de pintura eletrostática: como são utilizados os jatos de tintas? Como é uma instalação, como é o local e as devidas precauções de segurança? Ou então um aluno observando o momento em que uma corrente é montada observando isso de diversos ângulos. Uma obra em que as pontes são içadas e as possíveis forças e leis físicas envolvendo e sendo mostrado.

Enfim, diversas são as possibilidades de utilização de vídeos 360 como objetos de aprendizagem, principalmente para o ensino superior. Juntamente com a Realidade Aumentada, os vídeos 360 são considerados como sendo as mais recentes inovações em mídias digitais, com potencial de se tornarem ferramentas poderosas no atual cenário de tecnologia educacional. Porém, isso não significa que os vídeos 360 compreendam a melhor solução educacional a ser utilizada, considerando que existem outros diversos objetos de aprendizagem disponíveis e que poderiam tornar a aprendizagem mais efetiva. Nesse sentido, várias questões devem ser consideradas: dependendo do conteúdo a ser trabalhado, filmar usando um vídeo 360 melhora a experiência de aprendizagem dos alunos? O cenário utilizado para filmar é interessante, envolvente e imersivo em todas as direções, justificando a sua utilização? Os benefícios de sua utilização superam as suas desvantagens? Os resultados de aprendizagem almejados com a utilização de vídeos 360 são alcançados de maneira efetiva?


Segundo Reyna (2018), as possíveis aplicações dos vídeos 360 no campo da educação são: visitas virtuais em cenários complexos, que são difíceis de explicar com imagens, palavras, ou vídeos convencionais; gravação de aulas para professores em formação, a fim de explorar as configurações de sala de aula e as atividades que os alunos estão realizando, capturando interações humanas complexas; melhorar as habilidades de apresentação, capturando as interações entre apresentador e público, além das reações; avaliação das intervenções educacionais, com o intuito de avaliar ou melhorar uma nova atividade implementada nos currículos; pesquisa e coleta de dados, oportunizando o registro de observações mais precisas.


Atualmente, os vídeos 360 são utilizados no ensino superior para inserir os alunos em contextos de aprendizagem que mostram situações da realidade prática profissional das áreas de formação do curso na qual o aluno está matriculado, mostrando uma nova aplicação para essa solução educacional, focada em situações práticas contextualizadas. O sucesso dessa aplicação dos vídeos 360 no ensino superior é influenciado diretamente pela utilização de estratégias e metodologias de ensino que possibilitem a sua implementação e que oportunizem a garantia de sua efetividade no processo de ensino-aprendizagem.



Empresas como a IMERSYS estão constantemente criandos conteúdos imersivos e levando ao mercado educacional essa tecnologia para aplicação em cursos de graduação.


Outras empresas como a LEO LEARNING, já utilizam essas inovações para educação corporativa.Obviamente, sua efetividade dependerá de uma criteriosa avaliação de aprendizagem, que permitirá analisar se os resultados de aprendizagem almejados foram alcançados ou não, implementando um processo de melhoria contínua.



Sobre os autores

André Simões - Químico, Especialista em Educação, Master Business Innovation em Industria 4.0 e Mestre em Química. Atualmente Docente na Faculdade Senai Cetiqt e grande entusiasta do modelo em educação 4.0.


Roberto Mac Intyer Simões – Engenheiro Mecânico, Mestre em Ciências Térmicas e Fluidos, cursando MBA em Gestão de Projetos. Docente entusiasta das tecnologias educacionais, atualmente trabalha como consultor acadêmico para o ensino superior.


Referências Bibliográficas

ARROIO, A. e GIORDAN, M. O vídeo educativo: aspectos da organização do ensino. Química Nova na Escola, v. 24, n. 1, p. 8-11, 2006.

CARVALHO, A. C. S. Importância da inserção de filmes e vídeos na prática docente no ensino fundamental I. Trabalho de Conclusão de Curso, UFJF, 2017.

REYNA, J. The Potential of 360-Degree Videos for Teaching, Learning and Research. 12th International Technology, Education and Development Conference, p. 1448-1454, 2018.

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